5 de junho é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, uma data estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972 para aumentar a conscientização e promover ações em prol da proteção do meio ambiente.
Em 2015, a ONU desenvolveu os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma agenda mundial composta por 17 objetivos e 169 metas a serem atingidas até 2030. Em 2024, o tema central é “Restaurar a Terra: acelerar a restauração da terra, a resiliência à seca e o progresso da desertificação”.
Nesta quarta-feira (5), justo no dia do meio ambiente, cientistas do observatório europeu Copernicus anunciaram que a temperatura média global nos últimos doze meses (junho de 2023 – maio de 2024) é a mais alta já registrada, 0,75°C acima da média de 1991-2020 e 1,63°C acima da média pré-industrial de 1850-1900.
Fonte: C3S/ECMWF/ERA5
PRINCIPAIS DESAFIOS AMBIENTAIS DO RIO GRANDE DO NORTE
Para os ambientalistas, discutir as mudanças climáticas é urgente. O doutor em climatologia e professor geógrafo do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Malco Jeiel de Oliveira, realizou uma pesquisa com levantamento de dados sobre a temperatura da capital do Rio Grande do Norte.
O estudo apontou que Natal ficou 1,5º C ao longo de 30 anos. De acordo com a pesquisa, um dos principais fatores foi a diminuição das árvores e plantas da cidade. A cobertura vegetal foi reduzida em cerca de 50% em três décadas.
Neste ano, o dia do meio ambiente visa destacar a importância de recuperar os habitats naturais que foram degradados ou destruídos. No Rio Grande do Norte, pessoas, coletivos e projetos se mobilizam em prol da causa ambiental.
ARBORIZA NATAL
O Projeto Arboriza Natal foi criado em 2011 como um projeto de extensão da UFRN que tem como objetivo principal produzir e doar mudas para a população. De acordo com a coordenadora do projeto, Vânia Alberton, mais de 200 mil mudas foram distribuídas ao longo desses anos.


“Todo cidadão que quer adotar uma muda, seja para colocar em frente à casa dele, seja no quintal, seja no pátio, seja no sítio, pode ir lá no viveiro e adotar essa muda. Fazemos doações para as prefeituras também, mas muita gente conhece o projeto a partir de ações em ruas e espaços públicos. Muitas pessoas estão cuidando de praças a partir do projeto, desde que conheceram o projeto.”, explica.
Vania diz que as pessoas podem ajudar participando dos mutirões, que acontecem todos os sábados pela manhã na UFRN, das 8h às 11h com um café da manhã coletivo. Os voluntários ajudam compartilhando experiências, enchendo os saquinhos, plantando, limpando o viveiro e auxiliando nas atividades do Arboriza.
“O projeto tem uma importância significativa hoje, não só para o Natal, mas para toda a sociedade. Mas, o nosso principal papel é orientar que seja plantada a espécie correta. Temos que ter esse cuidado com o bioma, para não interferir no bioma. Então, temos que orientar sobre as espécies nativas. A questão de plantar uma árvore na calçada, por exemplo, temos que orientar a muda correta para que não venha a ser um problema lá na frente.”, revela.


JOVENS POTIGUARES MOBILIZADOS
Wilen Ivinen, de 21 anos, é um jovem natalense engajado no debate ambiental. Atualmente, ele é coordenador de meio ambiente do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (DCE/UFRN) e há alguns anos organiza ações locais de enfrentamento às mudanças climáticas.


“Os problemas ambientais, muitas pessoas conhecem, as pessoas sabem que hoje enfrentamos uma crise global, contudo não é algo que ainda modifique um pouco o comportamento das pessoas. E para isso, um dos caminhos é essa sensibilização, essa conscientização, é através de educação ambiental e climática, de informação e de comunicação com as pessoas.”, afirma.
O jovem conta que realizou ações de mobilização pelo interior do Rio Grande do Norte em municípios como Macaíba, Currais Novos, Santa Cruz e Caicó, além de participar de grandes eventos ambientais com parcerias institucionais dentro e fora da UFRN. Para ele, o conhecimento gerado nos muros da universidade precisa estar em diálogo com toda a sociedade.
“As mudanças climáticas afetam a todos, mas de forma desproporcional. E assim como a desigualdade social existe dentro da UFRN, as desigualdades sociais também atingem ao público da universidade, de forma que impossibilita que alguns alunos durante o período de chuva não possam ir para a universidade, por exemplo.”, destaca.


COLETIVO RN LIXO ZERO
O lixo gerado diariamente é outra preocupação dos ambientalistas. De acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos 2022, foram gerados no Brasil cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos domiciliares. Esses resíduos também impactam nas mudanças climáticas.


Criado em maio de 2021, o coletivo RN Lixo Zero surgiu com o objetivo de trabalhar com calendários ecopedagógicos e ações voltadas ao descarte correto dos resíduos sólidos. Os principais eventos são a Semana da Compostagem, que acontece no mês de maio e a Semana RN Lixo Zero, que acontece em outubro.
De acordo com a coordenadora do RN Lixo Zero, Luiza de Sá, outra frente de atuação está na divulgação das pautas ambientais na imprensa e o trabalho junto às gestões municipais do Rio Grande do Norte. Ela destaca os principais desafios ambientais do Rio Grande do Norte e a problemática do plástico.
“Devemos dar uma atenção para os resíduos sólidos, porque se a gente consegue reaproveitar os resíduos sólidos, a gente consegue ativar essa economia e utilizar menos os recursos naturais. Outro fator que tem acontecido ultimamente também é a questão da poluição. Sólidos geram bastante poluição e a gente vê, por exemplo, o plástico cada vez mais sendo encontrado em animais e no próprio ser humano. Dentro dos oceanos, tem se formando verdadeiras cidades de lixo.”, finaliza.

