Procedimento sigiloso foi aberto após denúncia sobre o possível aliciamento de uma mulher de Natal (RN) e a divulgação de novos documentos do caso nos Estados Unidos
O Ministério Público Federal (MPF) abriu um procedimento sigiloso para investigar a possível conexão do Brasil com a rede de exploração sexual do criminoso americano Jeffrey Epstein. A investigação foi motivada pela recente divulgação de milhões de documentos do caso pela Justiça dos EUA e por uma denúncia específica sobre o possível aliciamento de uma mulher de Natal, no Rio Grande do Norte.
O caso foi encaminhado para a Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoas e do Contrabando de Migrantes (UNTC), em Brasília, que centraliza as investigações sobre o tema no país. Em nota, o MPF informou que o trâmite ocorre em sigilo “dada a sensibilidade do tema e a necessidade de proteção das vítimas”.
A denúncia em Natal e os novos documentos
A apuração do MPF teve início após o recebimento de uma denúncia sobre a troca de e-mails, em 2011, que tratava do envio de uma mulher residente nos arredores de Natal para os Estados Unidos, supostamente para encontros com Epstein. Nas mensagens, o bilionário pedia fotos da jovem de “lingerie ou biquíni” e se prontificava a custear a viagem. Não há confirmação se o encontro de fato ocorreu.
Os e-mails fazem parte de um lote de milhões de páginas de arquivos divulgados pelo governo americano, que trouxeram novas revelações sobre o esquema de Epstein.
Os documentos mostram que o criminoso manteve contato com diversas brasileiras, incluindo modelos, desde pelo menos 2006, com promessas de envio de dinheiro e organização de viagens.
O que faz a unidade de investigação?
A UNTC é uma estrutura especializada do MPF, criada para identificar, prevenir e reprimir crimes de tráfico internacional de pessoas.
A unidade atua em cooperação com autoridades de outros países para desarticular organizações criminosas transnacionais, o que a qualifica para uma investigação complexa e com desdobramentos internacionais como o caso Epstein.
A UNTC diz que acompanha a divulgação dos arquivos e está atenta a todos os fatos que envolvam cidadãos brasileiros ou que tenham sido praticados no Brasil. O objetivo é analisar todas as situações em que brasileiras possam ter sido aliciadas por Epstein e identificar possíveis redes que atuavam no território nacional.
Relembre o caso Epstein
Jeffrey Epstein foi um financista americano condenado por crimes de exploração e tráfico sexual de menores de idade. Ele comandava um esquema que atuava em suas propriedades nos EUA e em uma ilha particular no Caribe. Em 2019, Epstein foi encontrado morto em sua cela, em Nova York, enquanto aguardava um novo julgamento. A versão oficial é de que ele cometeu suicídio.
Fonte: Band News FM















